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Análise ergonômica, exercícios físicos, ginástica laboral e pausas ajudam a prevenir a Lesão por Esforços Repetitivos que surge com certa freqüência no ambiente de trabalho. Reveja a sua postura em frente ao computador para se prevenir.
No começo, uma dor localizada surge durante uma atividade motora rotineira. Em repouso, o incômodo desaparece. Depois, a dor irradia para outras regiões e é latente e intensa durante a realização da atividade. Nesta fase, a recuperação costuma ser mais lenta e o incômodo pode aparecer durante outras atividades. Por vezes, observa-se uma pequena nodulação na bainha de tendões envolvidos e dificuldade de segurar objetos.
A partir da terceira fase, as sensações de dor, fadiga e fraqueza são persistentes, mesmo em repouso. Nesse estágio, a doença pode se tornar crônica. Em processo degenerativo, as inflamações podem causar deformidades e perda da função motora.
Toda e qualquer atividade motora, seja de trabalho, de lazer ou esportiva, que se executa em repetições seguidas, qualifica potencialmente um quadro de LER, sigla para a doença chamada Lesão Por Esforços Repetitivos. A persistência do gesto motor sem tratamento agrava o quadro inflamatório, que se instala na articulação e na periferia e agrava os sintomas.
DORT
A sigla, que desgina um tipo específico de LER, significa: Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho. O mal costuma afetar o trabalhador no auge de sua produtividade, por volta dos 30, 40 anos.
Bancários, digitadores, operadores de telemarketing, secretárias, profissionais de enfermagem e jornalistas são as categorias mais afetadas. O distúrbio é uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil, segundo a previdência social.
Uma classificação especial para LERs causadas no ambiente trabalho evidencia a relação da síndrome com os tempos atuais. Esta que foi a “doença dos escribas”, durante a Idade Média, e a “doença dos digitadores”, a partir da década de 80, continua se manifestando majoritariamente em ambientes de trabalho.
“O mouse e o teclado do computador trouxeram à tona algo que já era conhecido anteriormente em outras situações”, diz Clarice Tanaka, professora titular do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Outros fatores compõem o quadro de uma estação de trabalho inadequada. “Por exemplo: mobiliário: altura da mesa e da cadeira, posição do monitor; condições ambientais: iluminação, reflexos no monitor, posições do telefone, e apoio de material de trabalho, tudo influi na funcionalidade do usuário do computador”, explica a professora.
Tratamento
Exercícios físicos são bastante recomendáveis. “No entanto, uma análise ergonômica do posto de trabalho é aconselhável para se obter um diagnóstico funcional mais apropriado”, explica Clarice Tanaka. “Como forma de prevenção, além da adequação dos itens de risco, a ginástica laboral e as pausas são recomendadas”, complementa.
A ginástica laboral faz parte de um conjunto de ações para se controlar ou minimizar o problema. De forma geral as ações são efetivas, mas quando a condição crônica está instalada, outros itens da ação são prioritários, como o estudo da mudança de função.
Ergonomia
Aproveite que você está em frente ao computador e comece a prestar atenção na postura:
• O antebraço e o cotovelo devem ser apoiados pelo menos 1/3 na mesa ou no braço da cadeira, formando um ângulo de 90°
• O topo do monitor deve estar na altura dos olhos
• A mão e o pulso precisam ficar quase em linha reta – um apoio para o pulso ajuda
• As costas têm que estar totalmente apoiadas no encosto da cadeira
• Regule a altura da cadeira para que o joelho fique de 1 a 2 cm acima do nível do quadril. Se necessário, coloque um apoio sob os pés
Por Isabela Gaia
Fonte: Abril
1- O que é LER/Dort?
As LER/Dort (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) englobam cerca de 30 doenças, das quais a tendinite, a tenossinovite e a bursite são as mais conhecidas. As LER/Dort são responsável pela alteração das estruturas osteomusculares -tendões, articulações, músculos e nervos.
2- Como são causada as LER/Dort?
O problema é provocado normalmente por atividades desenvolvidas no trabalho, pelo excesso de uso do sistema músculo-esquelético.
A repetição de atividades, a postura incorreta e o excesso de força podem obstruir a circulação sanguínea, impossibilitando a irrigação de estruturas importantes como as artérias e os nervos. Quando isso ocorre, há a fibrose que desencadeia processos inflamatórios nos músculos -bursite e tendinite.
É por isso que o ambiente de trabalho inadequado pode ser uma inesgotável fonte de problemas. Falta de organização, mobiliário não adaptado, repetição das atividades, má divisão das tarefas, cobrança por produtividade, pressão no ambiente de trabalho e sobrecarga física são alguns dos fatores que levam o profissional a desenvolver alguma das doenças das LER/Dort.
3- Quais são os sintomas das LER/Dort?
O primeiro sinal é a dor. Depois a pessoa começa a sentir formigamento e dormência -espécie de insensibilidade ou fraqueza para segurar objetos. Nesse ponto, a inflamação pode começar a percorrer o corpo.
4- Quais são as fases das LER/Dort?
As LER/Dort têm quatro estágios:
Primeira fase: A dor aparece durante os movimentos e é difusa, ou seja, não é possível definir exatamente que parte do corpo está doendo.
Segunda fase: nesse estágio a dor é mais persistente, mas o quadro ainda é leve. Se as condições de trabalho forem alteradas ainda é possível reverter o quadro.
Terceira fase: a partir desse estágio a doença é crônica, sendo portanto, irreversível. Há perturbação durante o sono, em razão das dores, e as inflamações se tornam um processo degenerativo, que pode afetar os nervos e os vasos sanguíneos de maneira prejudicial. Nessa fase a dor é sentida em pontos definidos e não cede mesmo durante períodos de relaxamento e repouso. A dor aparece sobre a forma de pontadas e choques.
Quarta fase: entre o penúltimo estágio e esse, os processos infecciosos podem causar deformidades, como cistos, inchaços e perda de potência (força). A dor pode se tornar insuportável, e até atividades comuns da vida diária, como escovar dentes e cabelos, tornam-se impraticáveis.
Nessa última fase, muitos paciente recebem injeção de morfina para aliviar a dor e alguns chegam até a passar por cirurgias.
5- Quais são os tratamentos utilizados?
O tratamento depende do estágio de evolução da lesão, mas independentemente da fase é indispensável o tratamento interdisciplinar -acompanhamento médico, fisioterapêutico, terapia ocupacional, acupuntura e psicológico (nos casos onde há traços de depressão).
Remédios antiinflamatórios também são prescritos durante o tratamento. Recursos alternativos como o Lian Gong -ginástica terapêutica chinesa- a hidroterapia e o Do-in também são indicados.
No terceiro estágio, em substituição à fisioterapia deve-se optar pela hidroterapia, acompanhada do shiatsu. Isso ocorre porque a fisioterapia pode provocar dores no paciente.
A caminhada é outro ótimo recurso, já que ajuda a estimular a liberação de endorfina, responsável pelo alívio da dor e pelo relaxamento do corpo.
6- Como prevenir as LER/Dort?
O melhor jeito de evitar as doenças das LER/Dort é cuidar das questões da ergonomia, ou seja, organizar o trabalho em função da relação entre o homem e a máquina, para que o profissional não force o corpo adotando uma postura errada. Ter mobiliário adequado é outro ponto importante.
A organização e ritmo de trabalho também devem ser adequados para que o trabalhador não fique sobrecarregado. Deve-se evitar o excesso de carga horária, e quando isso ocorrer, procurar compensar o esforço de outras formas.
7- Qual é a postura correta diante do computador?
O monitor deve ficar na linha dos olhos e nunca mais baixo. Desta forma, a coluna não ficará curvada.
O teclado deve ser posicionado de maneira que o braço forme com o antebraço um ângulo de 90º. Hoje, há também teclados com um design mais moderno que têm disposição adequada das teclas para cada uma das mãos.
O uso de apoiadores de mão arredondados e macios, que são colocados entre o teclado e a borda da mesa, evitam a obstrução da circulação sanguínea. Um bom mouse pad tem a borda arredondada e macia.
8- Qual é o jeito correto de sentar-se enquanto trabalha?
O bumbum não deve ficar na ponta da cadeira deixando as costas envergadas. A coluna precisa ficar ereta, mas não excessivamente tensa.
Um apoio nos pés, espécie de minidegrau, ajuda a manter a postura, não deixando que haja pressão na área da coluna.
Evite ficar com as pernas cruzadas ou sentar-se sobre elas. Essa prática pode dificultar a circulação do sangue, causando formigamento e incômodo.
9- Que acessórios são indispensáveis no ambiente trabalho?
O monitor do computador deve ser reclinável para que cada um o adapte da melhor maneira. Apoiadores para os punhos, placa arredondada macia para o teclado e mouse pad com borda tornam a digitação um exercício menos “pesado”.
As cadeiras devem ter regulagem de altura para o encosto, o acento e os braços -que são indispensáveis. O apoio para os pés também deve ser regulável.
Boa iluminação e ventilação no ambiente são desejáveis. Mas o excesso de refrigeração (ar-condicionado muito forte) pode contribuir para a ocorrência da LER, já que afeta a circulação.
Logicamente, os acessórios mudam de acordo com a profissão e com o ambiente de trabalho. Por exemplo, para quem fala muito ao telefone e digita ao mesmo tempo o uso de fone de ouvido é indispensável.
10- É importante ter pausas durante o expediente?
Sim, isso deve ocorrer em qualquer função onde haja repetição de movimentos e também para pessoas que ficam muito tempo na mesma posição. A pausa deve ser de 10 minutos a cada 50 trabalhados.
Nesse tempo, o profissional precisa fazer exercícios de relaxamento, alto massagem, como o do-in, alongar os dedos das mãos, pés, braços e movimentar o pescoço e as pernas. Esses movimentos exercitam o que ficou parado, irrigando os tecidos.
Quem fica muito tempo de pé deve, nesse tempo de descanso, sentar um pouco para descansar as pernas e os pés.
Fonte: Folha Online
Reeducação Postural Global (RPG), técnica usada por fisioterapeutas para corrigir disfunções do sistema músculo-esquelético, tem como princípio tratar o indivíduo e não a doença.
Criada em 1980 pelo fisioterapeuta francês Philippe Souchard, a Reeducação Postural Global (RPG) é uma técnica que tem como princípio tratar o indivíduo e não a doença.
Segundo os especialistas que aplicam esse método, cada pessoa reage de maneira diferente a um problema. Portanto, a forma de combate-lo deve ser personalizada. A RPG é usada para resolver disfunções do músculo – esquelético.
Podendo ser indicada para pessoas de todas as idades, age contra dores lombares, dorsais e cervicais, lesões por Esforços Repetitivos (LER), desvios de coluna, dos pés e dos joelhos, enxaquecas, bursites, torcicolos e hérnias de disco. É utilizada também para proteger contra os processos degenerativos articulares. Em crianças e jovens, previne as conseqüências da má postura.
“Ninguém sofre de forma igual. Por isso, não podemos tratar todos como se fossem a mesma pessoa. Também não tratamos apenas o local onde há dor e sim todo o corpo”, explica Oldack Borges de Barros, fisioterapeuta e presidente da Sociedade Brasileira de reeducação Postural Global (SBRPG). Segundo ele, atualmente existem cerca de 8 mil RPGistas (fisioterapeutas que utilizam o RPG) em todo o mundo, sendo três mil só no Brasil. Além do nosso País, França e Itália ocupam posições de destaque naq aplicação do RPG.
A reeducação postural global se baseia em um trabalho Corporal ativo. São utilizadas oito posições, o corpo inteiro é colocado em estreitamento máximo para que sejam verificadas quais tensões se relacionam entre si. Por exemplo: uma torção de tornozelos pode provocar uma futura dor no ombro, devido à sobrecarga que o ato de mancar exerce sobre os demais músculos. O tratamento é individualizado e as sessões são semanais, durando aproximadamente uma hora cada. Os resultados aparecem, geralmente na décima sessão e alcançam sucesso em até 90% dos casos.
De acordo com Barros, a RPG aproveita os benefícios dos medicamentos homeopáticos e da acupuntura. Para ajudar as pessoas que não tem acesso a um RPGista, a SBRPG presta um serviço gratuito à população, no qual são atendidas cinco pessoas por mês. “Para que o atendimento seja facilitado, as pessoas devem entrar em contato por telefone e, quando vierem à entidade, devem trazer algum exame sobre seu problema”, orienta Barros.
Quando o paciente é submetido aos cuidados de um profissional qualificado, entre outras disfunções, ele pode corrigir a postura, resolver problemas crônicos de coluna, tonificar os músculos, melhorar a asma e bronquite e crescer de dois a três centímetros, com a recolocação dos ossos no lugar correto.
Só um fisioterapeuta pode aplicar a RPG
Curso é dividido em nível básico e avançado em patologias específicas
Apesar de não muito conhecida, a Reeducação Postural Global (RPG) tem se expandido no território brasileiro. Com isso, também tem crescido o número de falsos RPGistas que podem colocar em descrédito o método criado por Philippe Souchard.
Para aplicar a técnica antes de tudo é necessário ser fisioterapeuta. Vencido este obstáculo, é preciso participar de um curso, ministrado pelo próprio Souchard, segundo a Sociedade Brasileira de Reeducação Postural Global.
O aprendizado é dividido em nível básico, com duração de um mês e avançado em patologias específicas, que dura uma semana para cada especialidade. O fisioterapeutra pode se especializar, por exemplo, em esporte, pré e pós-parto e em uma série de outras áreas.
Para que haja a formação desses novos profissionais, o fisioterapeuta francês vem ao Brasil pelo menos duas vezes ao ano para transmitir o ensinamento. Mas, conforme a SBRPG, já existe no Brasil toda uma estrutura montada nos estados de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro para dar continuidade a esse trabalho.
Fonte: Portal Fisioterapia
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