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Lesões músculo-esquelético no ombro do atleta: mecanismo de lesão, diagnóstico e retorno à prática esportiva.


O ombro é sede freqüente de lesões nos esportes competitivos. Na literatura revisada a incidência varia de 8 a 13% de todas as lesões atléticas. As lesões nos esportes de arremesso são comuns na prática clínica; as lesões nos membros superiores giram em torno de 75% do total e a articulação do ombro é a região mais afetada.

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Fonte: scielo acesso dia 24-08-2010

Descansar também deve fazer parte do treinamento


Parar no momento certo é essencial para a recuperação fisiológica dos tecidos


Dependendo do esporte ou atividade física praticada, as lesões tendem a afetar os músculos, tendões, ossos (no caso dos corredores, tendinites, tendinoses, condromalácia patelar e fratura por estresse), entorses no joelho e tornozelo (nos jogadores de futebol ), nos ombros (síndrome do impacto, comum entre nadadores e jogadores de voleibol), lesões no cotovelo (em tenistas). Tais lesões podem afastar o esportista dos treinos por longos períodos, gerando um descompasso em seu condicionamento físico.
É o que afirma o fisioterapeuta, especialista em terapias manuais e osteopatia, Helder Montenegro.
Lesões
“A maioria das lesões ocorre durante a realização de exercícios, sendo consequência de métodos de treinamento incorretos ou de anomalias estruturais do praticante”, afirma o fisioterapeuta. Na definição do profissional de Educação Física, Marcos Vinícius Leitão, a ocorrência de lesões independe do tipo de atividade escolhida, já que até uma simples caminhada pode gerar problemas a curto ou a longo prazo caso a atividade não seja devidamente acompanhada por um profissional de Educação Física.
Helder Montenegro relaciona alguns esportes mais agressivos, em termos de impacto no corpo. São os de contato, os quais geram mudanças dinâmicas de direção: futebol, basquete, futebol americano, artes marciais, entre outros. Atualmente, informa, a popularização do wakeboard (onde o praticante se equilibra numa prancha puxada por uma lancha) o transformou esse esporte um dos mais lesivos.
No âmbito da fisiologia do movimento, as manobras que normalmente promovem mais lesões são as que exigem as articulações (joelhos, tornozelos e coluna lombar). Como existe um momento de neutralidade (zona neutra), isto se dá quando ocorre um grau mínimo de estabilidade involuntária. “A fim de a cinemática articular suceder de forma correta, é sempre necessário que os sistemas estabilizadores dinâmicos, estáticos e neurais estejam em perfeito estado funcional. Caso um desses sistemas já tenha sido comprometido anteriormente ou durante o movimento articular, essa articulação será lesionada”, avisa.
Indisciplina
O fisioterapeuta adverte os esportistas indisciplinados (amadores e profissionais), sem um compromisso sério com o esporte praticado e os quais não procuram ter um acompanhamento de uma equipe de profissionais. Além de comprometer o desempenho, passam a integrar um grupo de risco (são os jovens do sexo masculino).
E quando já se está com uma lesão, o que fazer? O fisioterapeuta Helder Montenegro informa que as lesões musculares têm um tempo médio de recuperação de duas a três semanas. Já as lesões ligamentares e ósseas apresentam uma grande variedade de duração, uma vez que depende muito se o problema ter indicação cirúrgica ou não. Admite que, tanto a fisioterapia convencional quanto a manual são importantes no processo de recuperação do atleta. No entanto, reforça que a fisioterapia manual age mais diretamente no mecanismo da lesão, tratando a causa e não apenas os sintomas decorrentes dela, o que acelera o retorno à pratica esportiva, prevenindo recidivas.
Outro perigo grande para o atleta de alto desempenho é o “over training”. O excesso de treinamento, admite o fisioterapeuta, é muito prejudicial ao rendimento do atleta, pois não permite a recuperação das fibras e células que compõem as estruturas envolvidas na prática esportiva. Isso expõe o atleta a lesões que podem, muitas vezes, afastá-lo dos treinos e das competições. “É bom lembrar que o descanso é fundamental na recuperação fisiológica dos tecidos músculo-articulares e deve fazer parte de todo treinamento esportivo”, recomenda Helder Montenegro.
Para as pessoas que nunca praticaram esportes e decidem fazê-lo, o fisioterapeuta diz ser fundamental procurar um médico realizar uma série de exames clínicos, seguido de um profissional de Educação Física. E lembra aos esportistas iniciantes a tomarem cuidado com os excessos: “Descanso também faz parte do treino”, destaca. Após sofrer a lesão e procurar tratamento, o tempo médio em que o esportista pode ficar sem treino, sem prejudicar seu desempenho, vai depender do tipo da lesão.
Retorno aos treinos
“Temos observado que houve uma evolução muito grande na forma como os profissionais de saúde tratam as lesões esportivas, mas a etapa do tratamento mais importante independente da técnica. É quando o atleta volta aos treinos”, explica..
Nesta fase, complementa o fisioterapeuta, “independente do condicionamento físico geral do atleta, o retorno aos treinos deve acontecer de forma gradativa, respeitando as adaptações articulares e músculo-tendíneas. Esta etapa deve ter a participação direta do fisioterapeuta, do educador físico e, principalmente, das informações verdadeiras fornecidas pelo atleta”, conclui Helder Montenegro.
Lesões frequentes
Nos Joelhos: lesões ligamentares; LCA (ligamento cruzado anterior) ocorre mais nos futebolistas; lesões nos meniscos ; artrose; lesão fêmur-patelar; e as tendinites inflamações nos tendões.
Coluna verterbral: lombalgias (dores no final da coluna); cervicalgias no pescoço; hernia de disco (deteriorização do disco intervertebral); desvios de posturas provocados pela má execução de exercícios físicos (quando se exercita mais um lado que o outro do corpo, provocando uma assimetria).
Ombros: tendinites, inflamações que ocorrem no tendão do manguito rotador; bursites (inflamações no saco que envolve as articulações); e as artroses.
Retorno
“Esta etapa conta com a participação do educador físico e do fisioterapeuta”
“Após sofrer uma lesão, o atleta deve voltar ao treino de forma gradativa”
Helder Montenegro
Fisioterapeuta e especialista em terapias manuais

fonte: caderno viva diário do nordeste

Lesões da coluna vertebral nos esportes*


Os autores, em artigo de revisão, analisam as lesões mais comuns da coluna vertebral na prática esportiva e ilustram com casos de sua experiência pessoal as diferentes patologias

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LESÕES OCUPACIONAIS AFETANDO A COLUNA VERTEBRAL EM TRABALHADORES DE ENFERMAGEM


Através do levantamento das comunicações de acidente do trabalho (CAT) de um hospital universitário no período de janeiro de 1990

a dezembro de 1997, analisou-se determinadas características da ocorrência de acidentes do trabalho relacionados com a coluna vertebral em trabalhadores de enfermagem. Verificou-se que nesse período foram notificados 531 acidentes e 37 (7,0%) destes eram acidentes típicos que comprometeram a coluna vertebral. Os resultados indicam subnotificação do acidente e que a categoria mais acometida foi o atendente de enfermagem. Os acidentes ocorreram principalmente pela movimentação e transporte de equipamentos e pacientes e pelas quedas.

Fonte:scielo

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Lesões ligamentares do Joelho


O joelho é uma articulação que permite movimentos de flexão, extensão e alguns graus de rotação. Sua estabilidade medial e lateral é provida através de ligamentos medial e lateral resistentes ( lig.colateral medial e lig.colateral lateral ), enquanto sua estabilidade anterior e posterior é provida pelos ligamentos cruzados anterior e posterior. Deste modo os ligamentos são vulneráveis a qualquer movimento que force o joelho a mover-se em planos anormais, e tais lesões são relativamente comuns em esportes que grande esforço físico ( futebol, corridas, maratonas, TRIATHLON, entre outros ).

Um ligamento pode ser distorcido ( distendido com ruptura de poucas fibras ) ou pode ser rompido parcial ou até completamente.

1. Rupturas do ligamento medial

Como o lado externo do joelho está mais exposto é o mais frequentemente lesado, ele é o mais rompido que qualquer outro ligamento do joelho. Uma violenta batido sobre o lado lateral, forçando o joelho em valgo estaremos rompendo ou distendendo o ligamento medial.

Dependendo da força do trauma podemos não só lesar este ligamento, mas também lesar menisco medial, lig.cruzado anterior ( tríade infeliz descrita por O`DONOGHUE.

Nas rupturas completas do ligamento medial ( em especial às ligadas ao lig.cruzado anterior ), a articulação do joelho está instável, sendo preciso em jovens e atletas a exploração cirúrgica imediata da articulação, fazendo o reparo cirúrgico do ligamento rompido e cápsula se estiver rompida, após cirurgia imobilização do joelho por 6 semanas.

2. Rupturas do ligamento lateral

As rupturas do ligamento lateral são menos comuns que a do medial, uma complicação única das rupturas do ligamento lateral é a lesão por tração do nervo fibular comum, que pode ser irrecuperável.

3. Rupturas dos ligamentos cruzados

Os ligamentos cruzados podem ser rompidos em associação as lesões dos ligamentos medail e lateral, mas podem também ocorrer isoladas do ligamento cruzado. Assim a tíbia é dirigida para frente em relação ao fêmur ou vice – versa ou até mesmo quando a articulação é hiperestendida, o ligamento cruzado anterior pode ser rompido ( pode-se fazer o teste de gaveta anterior para confirmar a instabilidade do joelho ).

O mecanismo reverso da lesão pode trazer uma lesão do cruzado posterior ( pode-se fazer o teste de gaveta posterior para confirmar instabilidade do joelho ).

4. Complicações das lesões ligamentares do joelho

A complicação mais desagradável especialmente em atletas é a instabilidade residual da articulação do joelho. Exercícios ativos são indicados e auxiliam a desenvolver a força dos músculos ( particularmente do quadríceps )

A reparação tardia pode necessitar de reparações cirúrgicas reconstrutivas.

BIBLIOGRAFIA

· O`Donoghue, D.H.: Treatment of injuries to athletes - Philadelphia, W. B. Saunders, 1995

· McGinty, J. B.: Modality of diagnosis or treatment to athletes - Philadelphia, No 2, 1997

· Galway, H. R. and Macintosh, D. L.: A sympton and sign anterior, posterior cruciate ligament insufficiency. Clin. Orthop. 147; 45-50, 1997

fonte: totalsport

Veja as lesões mais comuns em atletas de fim de semana


As lesões na corrida não são exclusivas dos atletas de alto nível ou amadores, elas afetam também a parcela da população que pratica atividade física apenas no sábado e/ou domingo. Essas pessoas são conhecidas como: atletas de fim de semana.

Quem nunca se deparou com uma pessoa que fala que pratica esporte, mas quando indagamos qual atividade física ela faz a resposta é: ando todos os fins de semana no parque, passeio com o cachorro, corro por 30 minutos aos sábados e domingos, entre outros? É provável que essa pessoa reclame na segunda-feira de dores musculares, ou então sinta dificuldade em andar e agachar, além de sentir a perna “pesada” e “dura”. Pelo menos, na minha prática clínica, ouço isso todos os dias.

Atualmente muito se fala sobre as lesões musculares de atletas de alto nível, ou então de profissionais e amadores que correm sem uma equipe de apoio, formada por fisioterapeutas e médicos que possam orientar o atleta no caso de contusão. Mas dentro desse quadro a pior situação é do atleta de fim de semana, já que ele deve tomar mais cuidado, porque a falta de treinamento o expõe a lesões ainda mais complicadas.

E quais são as lesões mais comuns em atletas de fim de semana?

Luxação: é a separação ou deslocamento das partes ósseas numa superfície articular ou perda completa da superfície de contato entre os ossos de uma articulação. O ombro é a articulação mais comum de acontecer este tipo de lesão e este é usado em esportes como vôlei.

Tendinite: resposta inflamatória a um micro-trauma de um tendão. Esse mal é mais comum em atletas que fazem esforço físico repetitivo. Em atletas de corrida é comum acontecer a famosa tendinite patelar (ou joelho de corredor como alguns chamam). Acontece por falta de alongamento, fortalecimento muscular e ausência de orientação nos treinos.

Contusão: é uma escoriação. Geralmente decorre de pancadas e batidas. Ela depende do grau do impacto para diagnosticar como leve, moderada ou grave. No futebol a contusão é algo bastante freqüente.

Entorse: lesão articular que ocorre quando o movimento numa articulação excede a amplitude normal do movimento, ocorrendo um deslocamento súbito da articulação. Os mais comuns são entorses no tornozelo e no joelho. Na grande maioria das vezes ocorre uma lesão ligamentar associada e dependendo do entorse “pode“ ocorrer uma fratura por avulsão.

Distensão muscular: nome comum para uma ruptura de fibras musculares ou do tecido fibroso do músculo, geralmente causado por um esforço muito grande ou por estresse muscular. Também chamado de estiramento muscular. Muito comum em jogadores de futebol, vôlei, basquete e atletas de corrida.

Ruptura de tendão ou ligamento: O joelho é o campeão deste tipo de lesão. Fortalecimento muscular e alongamento ajuda na prevenção destas lesões.

Fratura: os ossos de pessoas sadias se tornam mais densos e fortes quando submetidos à pressão constante, por isso, pessoas ativas que fazem exercícios com regularidade, têm menos probabilidade de fraturas. Tanto os atletas de fim de semana, quanto os atletas profissionais, podem apresentar fraturas por estresse. Causada por excesso de treinamento (overtraining) ou fraqueza muscular.

Hoje em dia, o atleta profissional sofre com a carga de treinamentos e o atleta de fim de semana sofre com a falta de condicionamento físico, que é um fator de sobrecarga diária que compromete o rendimento e potencializa a lesão. O fisioterapeuta trabalha, justamente, neste aspecto, com terapias que possam prevenir uma possível lesão. É de suma importância ter profissionais como nutricionistas, psicólogos, médicos, fisioterapeutas e educadores físicos em uma equipe de alto nível ou até mesmo na assessoria com a qual você treina.

Se a prevenção não foi feita o jeito é recuperar. Para isso o atleta e até aquele de fim de semana terá que ficar afastado dos treinos e das atividades físicas. Treinamentos estes não só o de corrida, mas sim o de musculação e os complementares, tais como natação e bike. Neste momento, é aconselhável uma carga adequada de fisioterapia que ajude o atleta na recuperação.

Fonte: webrun acesso: 21-09-2009

ENVOLVIMENTO DO TECIDO NEURAL NAS ENTORSES DE TORNOZELO


As entorses de tornozelo estão entre as lesões mais comuns do sistema musculoesquelético. Estas lesões ocorrem em sua grande maioria devido ao movimento de inversão, e acaba acometendo o compartimento lateral do tornozelo. Entre estas estruturas lesadas estão os ligamentos, a cápsula articular e possivelmente o tecido neural. Nas patologias neuromusculoesqueléticas, é essencial a identificação das estruturas acometidas antes da aplicação do tratamento fisioterapêutico ou da prescrição de exercícios. Este artigo fornece uma revisão bibliográfica de pesquisas sobre o envolvimento do tecido neural nas entorses de tornozelo por inversão, fundamentado na anatomia, biomecânica e neurodinâmica da articulação do tornozelo. O comprometimento do tecido neural em outras patologias e a realização de estudos experimentais, aparecem como sugestões para futuras pesquisas.

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Lesões músculo-esqueléticas no ombro do atleta: mecanismo de lesão, diagnóstico e retorno à prática esportiva


O ombro é sede freqüente de lesões nos esportes competitivos. Na literatura revisada a incidência varia de 8 a 13% de todas as lesões atléticas. As lesões nos esportes dearremesso são comuns na prática clínica; as lesões nos membros superiores giram em torno de 75% do total e a articulação do ombro é a região mais afetada.

Os autores avaliaram 119 atletas com queixas relacionadas à região do ombro, dos quais 95 (79,8%) eram do sexo masculino, 71 (59,6%) arremessadores e 76 (63,8%) competitivos.



artigo: ombro

AVALIAÇÃO ISOCINÉTICA DA FUNÇÃO MUSCULAR DO QUADRIL E DO TORNOZELO EM IDOSOS QUE SOFREM QUEDAS


Este artigo analisa o impacto da função muscular dos membros inferiores sobre as quedas em uma população de idosos.Os participantes foram 30 idosos, 14 que não haviam sofrido quedas e 16 que já haviam sofrido quedas nos últimos 6 meses, selecionados aleatoriamente no ambulatório de geriatria de um hospital universitário. Todos foram submetidos à avaliação demográfica e clínica e ao teste de função muscular no Dinamômetro Isocinético Biodex.

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Fonte: Bireme acesso dia 27-07-09

Dor no calcâneo: área de sustentação e de sobreuso, o calcanhar abriga inúmeras lesões. Saiba como tratá-las


Não é à toa que a expressão derivada da mitologia grega -´calcanhar de Aquiles´ - indica o principal ponto fraco e/ou de sustentação de alguém. É sobre o calcâneo que o peso do corpo exerce maior pressão, respondendo pelo impacto contínuo da primeira fase da marcha, tornando-o uma região suscetível a diferentes tipos de lesões e traumas.
A fascia plantar, faixa fibrosa aponeurótica localizada na região plantar, dá sustentação e forma ao pé. Exigida ao extremo, essa região pode abrigar a fascite plantar, inflamação da fascia (principalmente em sua inserção no calcâneo). A doença, que tem na dor seu principal sintoma (intensificado após repouso prolongado e reduzido ao longo do dia), é causada por essa inflamação na fascia e não pela calcificação óssea (mais conhecida como ´esporão de calcâneo´), conforme muitas pessoas erroneamente pensam.
´A formação óssea não é a causa da dor, pois está situada fora da inserção da fascia. Além do que, metade dos pacientes que têm fascite plantar não possuem esporão de calcâneo´, explica o ortopedista e traumatologista Paulo Giordano Baima Colares, especialista em ortopedia infantil e afecções do pé (adulto) do Hospital São Mateus e da Clínica Ortopédica São Mateus, instalada no mesmo complexo hospitalar. Dr. Paulo Colares integra a Clínica Dr. Colares, do Hospital São Carlos, além de ser preceptor da Residência Médica do Serviço de Ortopedia Pediátrica do Instituto José Frota (IJF).

Retropé e talalgias

O pé pode ser dividido em regiões que são importantes para se localizar as queixas e seus respectivos sítios nosológicos: retropé (osso tálus e calcâneo); mediopé (ossos mediotarsais); e antepé (metatarsos e falanges). A dor no retropé, queixa comum dos pacientes no consultório, pertence as possibilidades diagnósticas chamada de talalgias.
O diagnóstico de fascite plantar (esporão de calcâneo para os leigos) costuma ser confundido com várias outras doenças que atingem a região posterior do pé, acarretando dificuldade no diagnóstico e consequente aumento no já prolongado tempo de tratamento. Alguns detalhes nas queixas relatadas pelos pacientes podem nortear o correto diagnóstico, agilizando o tratamento, informa o ortopedista Paulo Colares.

Fascite

A dor, quando localizada na região medial plantar do calcanhar, piorada após repouso prolongado, tem forte indício de ser a tão comum fascite plantar proximal ou insercional do calcâneo. O aumento no quadro doloroso após esse repouso é ocasionado pelo encurtamento da fascia plantar.

Ao primeiro suporte do pé no solo provoca um estiramento brusco da fascia, causando dor. Forças de tração durante a fase de apoio na marcha levam ao processo inflamatório, implicando em fibrose e degeneração. Esforços prolongados e repetidos sobre o pé, especialmente o retropé, ampliam a dor, estando provavelmente associado à causa da doença. Corridas, saltos e atividades de impacto agravam a dor.

O paciente costuma apresentar claudicação antálgica com apoio sobre a parte lateral e/ou anterior do pé. Apesar de não ser incapacitante, geralmente atrapalha as atividades laborais sendo considerado um problema para os profissionais que trabalham em pé, andam por períodos prolongados, atletas e obesos, especialmente as mulheres. Também podem estar envolvidos na gêneses: a assimetria do comprimento dos membros inferiores; a pronação excessiva do retropé (virado para dentro); a pouca flexibilidade do arco longitudinal; a rigidez das musculaturas da panturrilha; o uso de calçados rígidos; e o aumento do tamanho da passada no decorrer da corrida.
É de 6 meses o tempo médio que pode durar o tratamento e a melhora efetiva da fascite plantar. As pessoas devem estar cientes que mesmo com o diagnóstico correto, o processo é lento e, muitas vezes, doloroso.
O diagnóstico da fascite plantar é clínico podendo ser detectado por ultrassonografia (US) ou ressonância nuclear magnética (RNM). O tratamento costuma ser prolongado e, preferencialmente, não cirúrgico (conservador) podendo ser empregado, além de repouso do esforço desencadeante, medicação antinflamatória e medidas não invasivas: uso de gelo ou calor; fisioterapia; alongamentos; palmilhas/calcanheiras; órteses noturnas; assim como ondas de choque extracorpóreo.
As infiltrações são excepcionais e não devem ser repetidas por gerarem atrofia do coxim gorduroso (camada lipídica subcutânea e trabecular que reveste e contorna toda a planta do pé, especialmente o calcâneo) e a ruptura da fascia. As cirurgias raramente são indicadas.
´Quando o paciente é um corredor e a dor está localiza na região plantar do mediopé, podemos estar diante da fascite plantar clássica ou distal. Seu tratamento se assemelha ao da fascite proximal´, informa o ortopedista Paulo Colares. Também ressalta ser ´importante que a população esteja ciente que a efetiva melhora na fascite plantar, mesmo quando devidamente diagnosticada e tratada, é um processo lento, podendo, por vezes, durar 6 meses ou até mais´.

Síndromes compressivas

A dor na região posterior do pé também pode ocorrer devido ao processo de compressão de algum nervo (como o plantar medial ou ramo do plantar lateral) por estruturas adjacentes ao seu trajeto no pé, que desencadeiam sintomas similares (apesar de apresentarem áreas de dormência/formigamento, a dor é em queimação e no caso do plantar lateral, há a piora com o decorrer do dia). Importante: tanto o diagnóstico quanto o tratamento são diferentes das fascites. A eletroneuromiografia pode ser útil na compressão do nervo plantar medial (Síndrome do Túnel do Tarso),além de imagem de RNM. A indicação cirúrgica é comum, mesmo que antes possa ser adotado o uso de palmilhas, fisioterapia e medicação.

Tendinites e calçados

Em pacientes que fazem esforços exagerados sobre o retropé, especialmente os corredores e atletas, são bastante comuns as tendinites dos flexores longos e curtos dos dedos, tibial posterior e anterior, fibulares e do Aquiles. Nesse último, no tão conhecido ´calcanhar de Aquiles´ são encontrados sítios de inflamação, que devem ser reconhecidos e tratados de forma diferenciada. A tendinite incersional do calcâneo, a bursite retrocalcaneana e a doença de Haglund podem necesssitar de cirurgia específica.

O uso de órteses adaptadas para cada caso é de grande importância no tratamento dessas afecções. Sejam palmilhas moldadas, palmilhas ou calcanheiras de silicone, com coxins, elevações de região específica do pé e outras. ´Isso costuma ser motivo de preocupação entre o vaidoso público feminino de regiões quentes como Fortaleza, pois, como geralmente não é possível adequar as palmilhas às sandálias, as mulheres se recusam a trocar a beleza por algum alívio da dor´, descreve Paulo Colares.

Os saltos são coadjuvantes no tratamento de algumas talalgias. ´Costumamos prescrever saltos baixos para as fascites (e alongar o complexo aponeurótico fascial), e saltos mais elevados para as talalgias posteriores (que acometem o tendão de Aquiles)´.

Traumatismos

´Onde há uma história de trauma, são comuns sequelas dolorosas nas fraturas de calcâneo, talus ou ossos do médiopé que provocam algumas síndromes compressivas e as artroses pós traumáticas´, informa Colares.

A exemplo de outras articulações de carga, o retropé também é bastante acometido por processos degenerativos articulares como as artroses, que necessitam geralmente de tratamento cirúrgico. São também possíveis as artropatias reumáticas com suas artrites e deformidades.

Algumas deformidades comuns nos membros inferiores, como o pé plano (sem cava) e o pé cavo varo (cava do pé acentuada e menos flexível), podem predispor a dores e artrose em sua região posterior. Nestes casos, explica, necessitam de tratamentos específicos.

A atrofia degenerativa ou o traumatismo do coxim gorduroso também podem causar dores no pé, especialmente na região do retropé e do antepé. O contato do calcanhar no solo se torna muito doloroso e de difícil tratamento. Estão predispostos a tais problemas os pacientes ativos e obesos, sendo o quadro irreversível. Nesta situação, informa o médico, o tratamento pode incluir o uso de palmilhas e órteses específicas.

Processos infecciosos

Também devem ser lembrados os processos infecciosos de regiões específicas do retropé, principalmente as tenossinivites infecciosas e osteomielites (especialmente causadas por microorganismos de baixa virulência) que podem apresentar os mesmos sintomas dolorosos. Doenças tumorais, apesar dos relatos serem raros, devem ser lembradas pelo ortopedista, a exemplo da fibromatose plantar e o osteoma osteóide.

´O tratamento dessas doenças deve ser feito de forma diferenciada, podendo resultar, caso não seja feito um diagnóstico preciso, na efetiva não cura da doença em si e/ou gerar tratamentos ainda mais prolongados, amplificando o quadro doloroso, o incômodo e a baixa qualidade de vida a que são acometidos a maior parte dos pacientes

Fonte: Diario on line

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