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30% dos brasileiros sofrem com dores crônicas


RIO DE JANEIRO - Leve, aguda ou crônica, a dor atinge pessoas de qualquer idade ou grupo social. Nos Estados Unidos, segundo estudo de 2000, da Panchal S. John Hopkins Medical School, 31% da população sofre com algum tipo de dor, o que representa 86 milhões de norteamericanos. No Brasil, a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) estima que cerca de 30% dos brasileiros – ou 57 milhões de pessoas – sofram com algum tipo de dor crônica.

Marize Freitas, 45 anos, faz parte dessa estatística. Há três anos, começou a sentir fortes dores pelo corpo e chegou a ficar um ano e meio sem conseguir andar. Mesmo tendo procurado tratamento médico rapidamente, foram necessários dois anos e meio de consultas com pelo menos oito ortopedistas e vários neurologistas até chegar ao diagnóstico de fibromialgia, doença que afeta seis milhões de brasileiros.

- As pessoas acham que é depressão, coisa da cabeça da gente - diz Marize.

Após o diagnóstico, começou a se tratar com medicamentos tracionais, e mesmo tendo conseguido algum progresso, como dormir melhor, ainda sofria com as fortes dores.

Há três meses, Marize se tornou adepta da Lemeterapia, técnica desenvolvida em São Paulo há 12 anos, que já permitiu a recuperação de mais de sete mil pessoas no Brasil e nos Estados Unidos. Através de um aparelho chamado dolorímetro, são medidos os níveis de tolerância à dor em 18 pontos de referência no corpo.

Se o paciente sente dores em 11 ou mais pontos, provavelmente sofre com fibromialgia. A partir do diagnóstico, a Lemeterapia trata da dor em dois estágios: o primeiro consiste na aplicação de aparelhos que diminuem a sensibilidade nos locais que precisam ser manipulados.

Em seguida, a manipulação corporal vai, aos poucos, devolvendo a qualidade de vida aos pacientes.

Segundo Cleide Cerqueira, fisioterapeuta especialista na técnica, o método consegue êxito em 95% dos casos e possibilita a volta do paciente às atividades normais em até cinco meses, dispensando gradualmente o uso de medicamentos antiinflamatórios e antidepressivos normalmente utilizados.

- Hoje, já consigo levar uma vida normal dentro do possível e durmo muito bem, o que há algum tempo não conseguia fazer - diz Marize.

A técnica tem se mostrado eficaz, também, para o tratamento de outros tipos de Reumatismos Extra-Articulares (REAs – conhecidos como reumatismos das partes moles), entre eles Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Doenças Ósteo-Muscular Relacionada ao Trabalho (DORT), mialgias (dores musculares), síndrome do túnel do carpo, tarso, cotovelo de tenista e golfista, disfunção de ATM.

Segundo Cleide Cerqueira, a Lemeterapia é também indicada para o tratamento de dores ciáticas, tendinites, bursites e dores comuns das costas ou coluna, mesmo quando estes casos são muito crônicos e se estendem por várias décadas.

Fonte: Jornal do Brasil

LER pode provocar deformidades e deve ser tratada ao primeiro sinal de dor


Análise ergonômica, exercícios físicos, ginástica laboral e pausas ajudam a prevenir a Lesão por Esforços Repetitivos que surge com certa freqüência no ambiente de trabalho. Reveja a sua postura em frente ao computador para se prevenir.

No começo, uma dor localizada surge durante uma atividade motora rotineira. Em repouso, o incômodo desaparece. Depois, a dor irradia para outras regiões e é latente e intensa durante a realização da atividade. Nesta fase, a recuperação costuma ser mais lenta e o incômodo pode aparecer durante outras atividades. Por vezes, observa-se uma pequena nodulação na bainha de tendões envolvidos e dificuldade de segurar objetos.

A partir da terceira fase, as sensações de dor, fadiga e fraqueza são persistentes, mesmo em repouso. Nesse estágio, a doença pode se tornar crônica. Em processo degenerativo, as inflamações podem causar deformidades e perda da função motora.

Toda e qualquer atividade motora, seja de trabalho, de lazer ou esportiva, que se executa em repetições seguidas, qualifica potencialmente um quadro de LER, sigla para a doença chamada Lesão Por Esforços Repetitivos. A persistência do gesto motor sem tratamento agrava o quadro inflamatório, que se instala na articulação e na periferia e agrava os sintomas.

DORT
A sigla, que desgina um tipo específico de LER, significa: Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho. O mal costuma afetar o trabalhador no auge de sua produtividade, por volta dos 30, 40 anos.

Bancários, digitadores, operadores de telemarketing, secretárias, profissionais de enfermagem e jornalistas são as categorias mais afetadas. O distúrbio é uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil, segundo a previdência social.

Uma classificação especial para LERs causadas no ambiente trabalho evidencia a relação da síndrome com os tempos atuais. Esta que foi a “doença dos escribas”, durante a Idade Média, e a “doença dos digitadores”, a partir da década de 80, continua se manifestando majoritariamente em ambientes de trabalho.

“O mouse e o teclado do computador trouxeram à tona algo que já era conhecido anteriormente em outras situações”, diz Clarice Tanaka, professora titular do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Outros fatores compõem o quadro de uma estação de trabalho inadequada. “Por exemplo: mobiliário: altura da mesa e da cadeira, posição do monitor; condições ambientais: iluminação, reflexos no monitor, posições do telefone, e apoio de material de trabalho, tudo influi na funcionalidade do usuário do computador”, explica a professora.

Tratamento
Exercícios físicos são bastante recomendáveis. “No entanto, uma análise ergonômica do posto de trabalho é aconselhável para se obter um diagnóstico funcional mais apropriado”, explica Clarice Tanaka. “Como forma de prevenção, além da adequação dos itens de risco, a ginástica laboral e as pausas são recomendadas”, complementa.

A ginástica laboral faz parte de um conjunto de ações para se controlar ou minimizar o problema. De forma geral as ações são efetivas, mas quando a condição crônica está instalada, outros itens da ação são prioritários, como o estudo da mudança de função.

Ergonomia
Aproveite que você está em frente ao computador e comece a prestar atenção na postura:

• O antebraço e o cotovelo devem ser apoiados pelo menos 1/3 na mesa ou no braço da cadeira, formando um ângulo de 90°
• O topo do monitor deve estar na altura dos olhos
• A mão e o pulso precisam ficar quase em linha reta – um apoio para o pulso ajuda
• As costas têm que estar totalmente apoiadas no encosto da cadeira
• Regule a altura da cadeira para que o joelho fique de 1 a 2 cm acima do nível do quadril. Se necessário, coloque um apoio sob os pés

Por Isabela Gaia

Fonte: Abril

Artigo: “Atuação Fisioterapêutica Preventiva nos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho”


Autor: Santos, A.P.A. ; Santos, D.Q.; Santos, G.G.; Venceslau, G F..; Zimmermann, I.D.; Mascarenhas, M.C.*; Vasconcelos, M.S.A.** - * Acadêmicas do curso de Fisioterapia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, ** Coordenadora e Orientadora do Núcleo de Pesquisas em Fisioterapia e Saúde

Introdução

As lesões músculo-esqueléticas de origem ocupacional representam um expressivo problema humano e econômico.

No Brasil, os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) representam mais da metade das doenças ocupacionais (MIRANDA,1998), contabilizando em 2001, segundo o CESAT (Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador), 65% dos casos de diagnósticos de doenças ocupacionais.

Devido a este grande destaque das DORT entre as doenças profissionais, a atuação da Fisioterapia nas empresas cresce a cada dia, principalmente pela descoberta da importância do investimento em ações preventivas no combate aos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. É importante ressaltar que o objetivo da Fisioterapia não se limita apenas a curar uma patologia, mas também preveni-la.

A atuação preventiva inclui campanhas educacionais e implantação de diversos programas de prevenção que podem trazer diversas vantagens para o empregado e para a empresa, como diminuição da fadiga, do desconforto físico, do estresse emocional e da incidência de doenças ocupacionais; aumento da eficiência no trabalho, diminuição dos gastos da empresa e do número de acidentes, além de aumento da produtividade e o lucro.

Através da atuação preventiva, os empregados são incentivados a novos hábitos de vida, desenvolvendo uma nova cultura saudável de consciência corporal e postural, podendo proporcionar um bem-estar físico e emocional no ambiente de trabalho.

Esta atuação nas empresas manifesta-se inicialmente através da análise dos fatores de risco predisponentes e a partir daí poderá ser implantado um programa preventivo direcionado às afecções musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho.

Este estudo tem como objetivo a revisão da literatura referente aos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho e a abordagem fisioterapêutica preventiva nestas patologias.

DORT
O primeiro termo a surgir no Brasil, na tentativa de definir as afecções musculoesqueléticas decorrentes do trabalho, foi LER (Lesões por Esforços Repetitivos), baseado na tradução da sigla australiana RSI (Repetitive Strain Injury). Através de estudos e verificações constatou-se que esse termo estava sendo insuficiente para designar as formas clínicas que começaram a aparecer por conseqüência de atividades ocupacionais, por traduzir um mecanismo de lesão único e abrangente. Adotou-se então, a partir da década de 90, o termo DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) que permitiu ampliar os mecanismos de lesões, não só restritos aos movimentos repetitivos.

As doenças ocupacionais ocorrem devido ao uso inadequado e repetido das estruturas, atrelado a uma postura inadequada e ambiente de trabalho impróprio. Alguns fatores de risco podem ser citados, como trabalho muscular estático, invariabilidade da tarefa, choques e impactos, pressão mecânica, vibração, frio, fatores organizacionais, estresse emocional e exigência de produtividade. Em linhas gerais os sintomas e sinais clínicos mais comumente encontrados são sensação de desconforto e peso no membro afetado, dor, sensação de formigamento e calor, presença de nódulos na bainha muscular, perda da força muscular, edema freqüente e recorrente, perda do controle de movimento, atrofia por desuso, depressão, ansiedade e angústia. Inicialmente DORT se restringia às afecções de origem ocupacional que atingiam apenas os membros superiores. Nos últimos anos, porém, tem sido relatada também a ocorrência de afecções de origem ocupacional em membros inferiores. “Observa-se que as ações judiciais trabalhistas associadas aos distúrbios nos MMII correspondem a menos de 10% do total” (HELFENSTEIN, 1998).

“A faixa etária das pessoas acometidas apresenta-se cada vez mais baixa, em virtude das pessoas iniciarem suas atividades profissionais mais cedo” (PRZYSIEZNY, ? ). Num estudo realizado em 1998, MIRANDA constatou que 80,4% dos trabalhadores entrevistados com DORT tinham entre 30 e 46 anos e segundo DIMBERG (1989), mulheres que executam trabalhos em funções altamente repetitivas ou que exigem esforço estático têm o dobro de risco de apresentarem problemas osteomusculares quando comparadas a homens nas mesmas condições. A maior incidência no sexo feminino é justificada por questões hormonais, pela dupla jornada de trabalho, pela falta de preparo muscular para determinadas tarefas e também pelo aumento significativo do número de mulheres no mercado de trabalho.

O problema da incidência das lesões de origem ocupacional constitui um fenômeno universal de grandes proporções e em constante crescimento. WUSCH FILHO (1997) chamou atenção para a cronicidade e irreversibilidade de grande parte dos casos e ressaltou que o NATIONAL INSTITUTE OF OCCUPATIONAL SAFETY IN HEALTH (NIOSH) classifica DORT entre os dez mais significativos problemas de saúde ocupacional nos Estados Unidos. Estima-se que correspondam a cerca de metade das doenças ocupacionais notificadas.

No Brasil, desde o início da década de 80, alguns sindicatos de trabalhadores em processamento de dados, começaram a denunciar a ocorrência de DORT entre os digitadores, e a partir de 1984/85, com a redemocratização do país, e diante da crescente pressão social exercida pelo movimento sindical, a Previdência Social começa a reconhecer a existência do problema e a conceder os primeiros benefícios previdenciários. Contudo, somente por volta de 1986, as DORT passaram a assumir relevância crescente nas estatísticas sobre doenças profissionais; fato esse que pode ser explicado, em parte, pela rápida absorção em nosso país das inovações tecnológicas e da importante atuação dos trabalhadores. Apesar disso, na Bahia esse aumento estatístico só ocorreu na década de 90.

Hoje sabe-se que não só digitadores apresentam DORT. Cada vez mais outras categorias profissionais são acometidas pelas doenças ocupacionais, envolvendo desde operários fabris até médicos ultrassonografistas. No Brasil, o sistema de informação do Sistema Único de Saúde (SUS) não inclui os acidentes de trabalho em geral, nem DORT, em particular, o que não permite a obtenção de dados epidemiológicos que cubram a totalidade dos trabalhadores. Os dados disponíveis são os da Previdência Social, que se referem apenas os trabalhadores do mercado formal e com contrato trabalhista regido pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), o que totaliza menos de 50% da população economicamente ativa (IBGE, 1991). Porém, nos Estados Unidos, observando os dados do UNITED STATES BUREAU OF LABOUR STATISTICS nota-se o aumento consistente no número de DORT entre 1981 e 1994: em 1981 houve registro de 22.600 casos que representam 18% das doenças ocupacionais, ao passo que em 1994 foram 332.000, representando 65% de todas as doenças, portanto um aumento de 14 vezes.

Fatores de Risco

O principal fenômeno apontado como causa do aumento das doenças ocupacionais é a modernização do trabalho. O trabalho moderno é caracterizado pela mecanização fragmentação, especialização, automação das tarefas industriais e informatização nas áreas de serviço.

A forma de organização do trabalho moderno se direciona para tarefas manuais que exigem grande precisão de movimentos, realizados em curtos períodos, alta repetitividade, intensificação do ritmo imposto por máquinas ou por padrões de produtividade. Alem disso, os trabalhadores não têm diversificação de tarefas e são mantidos nas mesmas atividades por muitos anos.

Os fatores de risco relacionados ao trabalho mais comumente citados como predisponentes ao desenvolvimento dessas afecções podem ser classificados em três grandes categorias: fatores biomecânicos, psicossociais e administrativos.

Os fatores biomecânicos se relacionam com repetitividade, movimentos manuais com emprego de força, posturas inadequadas dos membros e pressão mecânica. Tarefas como levantar, carregar e empurrar exigem grandes esforços, e quando o esforço é freqüente, por períodos prolongados de tempo ou há adoção de posturas inadequadas, ocorrerá fadiga, baixa motivação e diminuição da produtividade. Essas posturas estáticas, inadequadas e prolongadas, favorecem o metabolismo anaeróbico muscular e conseqüente irritação dos receptores do sistema nervoso.

O trabalhador que exerce suas tarefas em posturas desfavoráveis sente o aspecto desagradável da postura através do aumento da fadiga e alterações no funcionamento do organismo. A sobrecarga estática causa agressões ao sistema locomotor, aumento da pressão intratorácica e abdominal, alterações circulatórias, e consequentemente fadiga muscular.

Esse contexto de fatores biomecânicos está interligado ao conjunto de fatores psicossociais associados às DORT. As repercussões biológicas desencadeiam uma série de conseqüências vegetativas na vida do trabalhador. O trabalho torna-se penoso e isso gera consequentemente insuficiência da capacidade de realização de trabalho, resultando em perda de auto-estima, sentimento de inferioridade, angústia e sofrimento. A grande pressão do trabalho, diminuição da autonomia, falta de colaboração dos colegas e a pouca variedade no conteúdo da atividade, são alguns dos itens responsáveis pela depressão, ausência e desmotivação que acometem o trabalhador.

Para compreender o papel dos fatores administrativos para o desenvolvimento da DORT é preciso analisar algumas questões relacionadas à qualidade de vida no trabalho. A empresa deve atuar de forma eficaz a fim de eliminar riscos potenciais, métodos de trabalho impróprios e o uso de equipamentos e ferramentas inseguras a fim de impedir que esse problema se torne mais grave. É importante a aceitação pela empresa das manifestações dos trabalhadores quanto aos fatores de riscos potenciais, visto que a prevenção, diagnóstico e tratamento precoce são essenciais para manutenção da qualidade do trabalho. Na própria empresa a conscientização dos profissionais de saúde internos e dos engenheiros quanto às implicações ergonômicas, é um item relevante, pois impede que o problema se agrave. Então, todas essas medidas minimizam riscos contrários ao conforto, segurança e eficiência dos trabalhadores.

Portanto, o desenvolvimento das lesões por esforços repetitivos é decorrente da interação de diferentes fatores de risco.

Prevenção da DORT

Prevenção é uma forma de atuação que ocorre antes que o problema alvo se instale e o objetivo é impedir sua ocorrência, mesmo em níveis mínimos.

A Fisioterapia pode atuar de forma preventiva em diversas patologias, promovendo a manutenção da saúde.

CHAVES (1980) propôs níveis de aplicação das ações de saúde. O nível 1 corresponde à promoção da saúde; nível 2, proteção específica; nível 3, diagnóstico e tratamento pronto; nível 4, limitação do dano e nível 5, reabilitação.

Na época Antiga, os níveis 1 e 2 que caracterizam atualmente a medicina preventiva, não eram alvo de interesse dos indivíduos que se dedicavam ao estudo e aplicação de recursos de saúde à população.

Por volta da Idade Média e Renascimento, nasceu uma preocupação com a manutenção das condições normais de saúde. Isso foi realizado através de uma proposta de exercícios com o objetivo de preservar o estado saudável existente. Surgiu assim, a medicina preventiva.

Na Revolução Industrial, houve uma transformação social determinada pela produção em grande escala. Devido à excessiva exploração física dos operários, ocorreu uma conseqüente explosão de patologias. Era necessário tratar essas patologias de forma rápida a fim de não perder ou diminuir a fonte de riqueza gerada pela força de trabalho dos operários.

Com essa ênfase ao tratamento, as idéias apontadas no movimento renascentista, como a manutenção de satisfatório estado de saúde, parecem ter sofrido uma inibição. Esse período marcou uma assistência de saúde curativa, recuperativa e reabilitadora. Além disso, como conseqüência das guerras, tinha-se um grande contingente de mutilados e lesados em geral que precisavam de tratamento para se recuperar, reabilitar e readquirir a mínima condição de saúde no seu contexto mais amplo e, a partir daí, retornar a atividade social e produtiva.

Hoje com o avanço dos estudos acredita-se ser mais vantajoso investir preventivamente do que de forma curativa e reabilitadora. Cuidar do indivíduo antes que a doença se instale passou a ser diretriz importante no sistema de saúde.

O objetivo de qualquer programa de saúde e segurança do trabalhador é prevenir danos e moléstias por meio da eliminação de suas causas. Nas DORT, o objetivo de um programa de prevenção consiste na eliminação ou redução objetiva da exposição do trabalhador aos fatores de risco predisponentes a esse conjunto de disfunções. O sucesso na prevenção destas disfunções dependerá do acompanhamento, participação e compromisso de cada profissional da empresa com o programa de intervenção. Esse deve ser específico às condições de trabalho da empresa em foco.

As medidas de controle propostas pelos programas de prevenção atualmente conhecidos determinam modificações nas condições:

1. Físicas: Posto de trabalho, dimensionamento, posicionamento e qualidade do mobiliário e equipamentos;

2. Biomecânicas: Alterações posturais e planejamento de métodos de trabalho empregados;

3. Ambientais: Conforto térmico, visual e auditivo.

Diante a diversidade de riscos presentes no espaço ocupacional a que estão submetidos os trabalhadores, verifica-se a real necessidade e importância de um planejamento de segurança no trabalho.

Além dos fatores acima citados, existem também outros itens relevantes como a redução da jornada de trabalho, o rodízio de trabalhadores em tarefas diferentes e a implantação de intervalos para repouso. A variação ou alternância de atividades constitui uma possibilidade importante para diminuir os efeitos do trabalho repetitivo e estático, pois coloca em ação grupos musculares diferentes, reduzindo a sobrecarga nas diversas áreas do corpo e favorecendo a circulação sanguínea.

Segundo SWANSON (1989) alguns estudos demonstram que a introdução de pausas freqüentes para descanso, além de reduzir a incidência de disfunções musculoesqueléticas aumentam a produtividade. É preciso, ainda ressaltar a importância da implantação de modificações que garantam ao trabalhador a realização do seu ofício com mais autonomia, criatividade e satisfação.

Proposta de atuação da Fisioterapia Preventiva

Ergonomia

Atualmente considera-se que o método mais efetivo para a prevenção de DORT é o desenvolvimento de controles técnicos para identificar os riscos ergonômicos. Segundo a ERGONOMICS RESEARCH SOCIETY (Inglaterra, 195?), “Ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem e seu trabalho, equipamento, ambiente e, particularmente, da aplicação de conhecimentos de anatomia e fisiologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento”. A intervenção ergonômica é dividida em fases:

· Fase I: Fase exploratória, que tem por finalidade recolher e registrar dados relativos à tarefa como objeto de estudo.

· Fase II: Permite aprofundar os problemas observados na fase de apreciação ergonômica e testa as sugestões preliminares. Analisa-se o desenvolver de atividades pelo trabalhador, aplica-se questionários, faz-se avaliação postural e confirma-se pontos de prioridade investigados na fase de apreciação ergonômica.

· Fase III: Projeção ergonômica. Adapta-se estações de trabalho, equipamentos e ferramentas às características físicas, psíquicas e cognitivas dos trabalhadores.

· Fase IV: Revisão do projeto, sugestões de melhoria, priorização dos pontos que serão diagnosticados e modificados. Este projeto poderá ou não ser aceito pela empresa.

Escola de Postura

Essa intervenção parece ter sido desenvolvida por Marianne Zachrison, com o objetivo de capacitar os indivíduos para que assumissem atitudes de auto- cuidado com a coluna, por meio de orientações sobre a anatomia, biomecânica e patologias que podem atingir a coluna vertebral.

A Escola de Posturas é uma adaptação do método sueco “The Back School” e visa prioritariamente um tratamento preventivo e educador da postura. Quanto à prevenção de doenças ocupacionais, a Escola de Posturas pode influenciar significativamente, reduzindo a ocorrência de dores e desconforto. Utilizando-se desses conceitos, o trabalhador é conscientizado quanto aos limites do seu corpo e ensinado a não ignorá-los; além de ensinar as melhores posições para a realização de suas tarefas, alongamentos e exercícios para grupos musculares mais solicitados. Os programas são aplicados em grupos ou sessões individuais, as aulas têm duração variável de 40 a 60 minutos e o número total de sessões varia entre 3 e 4 encontros.

Ginástica Laboral

Outra técnica bastante difundida é a ginástica laboral, que vem sendo cada vez mais aplicada nas empresas. Os trabalhadores realizam durante alguns minutos exercícios de alongamento, coordenação motora e fortalecimento muscular. É importante a adoção de outras medidas associadas à ginástica laboral, como ergonomia e conscientização corporal, para que os resultados sejam positivos. Além disso, a individualidade do trabalhador é um fator relevante a ser considerado.

Outras formas de atuação preventiva podem ser citadas, como por exemplo: musicoterapia, RPG e massoterapia, além das práticas derivadas da Medicina Tradicional Chinesa, como Acupuntura, Do-In, Shiatsu e massagens orientais. Estas gozam de grande aceitação no mundo ocidental há várias décadas e isso ocorre devido a sua reconhecida eficácia na prevenção e tratamento de doenças diversas, principalmente aquelas envolvendo sintomas dolorosos em geral. Quanto ao emprego desses recursos terapêuticos nas manifestações de DORT, constatam-se resultados excelentes nos estágios em que os sintomas apresentam-se como sensação de peso, desconforto, dores ocasionais ou contínuas e que progressivamente interferem na produtividade. O emprego da Acupuntura e massagens orientais no tratamento e prevenção de DORT pode ser um importante instrumento na promoção e preservação da saúde dos trabalhadores.

Discussão

As DORT são considerados atualmente um fenômeno de relevante repercussão, tanto na esfera social quanto nas relações de trabalho.

O grande número de disfunções osteomusculares cria uma elevada demanda por serviços no sistema de saúde. Apesar da assistência atual vigente se estabelecer em ações curativas, observa-se uma preocupação eminente em priorizar cada vez mais o enfoque preventivo.

A atuação da Fisioterapia preventiva é recente e promissora, na medida que essa atividade está determinantemente interligada a qualidade de vida no trabalho. Apesar das inúmeras vantagens que pode promover, a atuação fisioterapêutica preventiva encontra barreiras no atual modelo de formação do profissional fisioterapeuta. Este modelo se baseia principalmente numa concepção curativa e reabilitadora, voltada para aplicação de técnicas conhecidas. Esse aspecto limita em parte o crescimento do profissional e o avanço da prevenção como fator contribuinte para a manutenção da qualidade de vida.

Associado a isso existem poucos dados descrevendo sistematicamente a atuação prática da fisioterapia preventiva. De acordo com a escassa literatura existente a respeito, as abordagens dos Fisioterapeutas consistem basicamente em treinamentos de correção postural, ergonomia, grupos de relaxamento, alongamento e exercícios, além de aplicação de questionários específicos, palestras e folhetos explicativos. Tudo isso visa o aumento da produtividade e diminuição dos índices de doença ocupacional através da conscientização de funcionários e administradores da empresa sobre a importância da participação em programas preventivos.

Acredita-se que o sucesso de um programa preventivo dependa de diversos fatores como a amplitude da abordagem, interesse dos empregados e aquisição de novos hábitos. Estudos revelam que a combinação de técnicas, abordagem ergonômica e pausas durante a jornada de trabalho obtiveram melhores resultados do que estudos onde apenas um recurso é utilizado, quanto se avalia a ocorrência de DORT.

Vale ressaltar a importância da realização de novas pesquisas, devido às diversas vantagens que os programas preventivos podem trazer às empresas e ao empregado. Segundo o novo modelo empresarial, empregados saudáveis promovem negócios com melhores lucros e maior retorno de investimento. Dessa forma o progresso da empresa depende de trabalhadores capazes, sadios, criativos e motivados; sendo a Fisioterapia um fator essencial nesse processo tão antigo e tão atual, que é a prevenção.

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http://www.interfisio.com.br/index.asp?fid=163&ac=1&id=10

10 perguntas e respostas sobre as LER/Dort


1- O que é LER/Dort?
As LER/Dort (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) englobam cerca de 30 doenças, das quais a tendinite, a tenossinovite e a bursite são as mais conhecidas. As LER/Dort são responsável pela alteração das estruturas osteomusculares -tendões, articulações, músculos e nervos.

2- Como são causada as LER/Dort?
O problema é provocado normalmente por atividades desenvolvidas no trabalho, pelo excesso de uso do sistema músculo-esquelético.

A repetição de atividades, a postura incorreta e o excesso de força podem obstruir a circulação sanguínea, impossibilitando a irrigação de estruturas importantes como as artérias e os nervos. Quando isso ocorre, há a fibrose que desencadeia processos inflamatórios nos músculos -bursite e tendinite.

É por isso que o ambiente de trabalho inadequado pode ser uma inesgotável fonte de problemas. Falta de organização, mobiliário não adaptado, repetição das atividades, má divisão das tarefas, cobrança por produtividade, pressão no ambiente de trabalho e sobrecarga física são alguns dos fatores que levam o profissional a desenvolver alguma das doenças das LER/Dort.

3- Quais são os sintomas das LER/Dort?
O primeiro sinal é a dor. Depois a pessoa começa a sentir formigamento e dormência -espécie de insensibilidade ou fraqueza para segurar objetos. Nesse ponto, a inflamação pode começar a percorrer o corpo.

4- Quais são as fases das LER/Dort?
As LER/Dort têm quatro estágios:

Primeira fase: A dor aparece durante os movimentos e é difusa, ou seja, não é possível definir exatamente que parte do corpo está doendo.

Segunda fase: nesse estágio a dor é mais persistente, mas o quadro ainda é leve. Se as condições de trabalho forem alteradas ainda é possível reverter o quadro.

Terceira fase: a partir desse estágio a doença é crônica, sendo portanto, irreversível. Há perturbação durante o sono, em razão das dores, e as inflamações se tornam um processo degenerativo, que pode afetar os nervos e os vasos sanguíneos de maneira prejudicial. Nessa fase a dor é sentida em pontos definidos e não cede mesmo durante períodos de relaxamento e repouso. A dor aparece sobre a forma de pontadas e choques.

Quarta fase: entre o penúltimo estágio e esse, os processos infecciosos podem causar deformidades, como cistos, inchaços e perda de potência (força). A dor pode se tornar insuportável, e até atividades comuns da vida diária, como escovar dentes e cabelos, tornam-se impraticáveis.

Nessa última fase, muitos paciente recebem injeção de morfina para aliviar a dor e alguns chegam até a passar por cirurgias.

5- Quais são os tratamentos utilizados?
O tratamento depende do estágio de evolução da lesão, mas independentemente da fase é indispensável o tratamento interdisciplinar -acompanhamento médico, fisioterapêutico, terapia ocupacional, acupuntura e psicológico (nos casos onde há traços de depressão).

Remédios antiinflamatórios também são prescritos durante o tratamento. Recursos alternativos como o Lian Gong -ginástica terapêutica chinesa- a hidroterapia e o Do-in também são indicados.

No terceiro estágio, em substituição à fisioterapia deve-se optar pela hidroterapia, acompanhada do shiatsu. Isso ocorre porque a fisioterapia pode provocar dores no paciente.

A caminhada é outro ótimo recurso, já que ajuda a estimular a liberação de endorfina, responsável pelo alívio da dor e pelo relaxamento do corpo.

6- Como prevenir as LER/Dort?
O melhor jeito de evitar as doenças das LER/Dort é cuidar das questões da ergonomia, ou seja, organizar o trabalho em função da relação entre o homem e a máquina, para que o profissional não force o corpo adotando uma postura errada. Ter mobiliário adequado é outro ponto importante.

A organização e ritmo de trabalho também devem ser adequados para que o trabalhador não fique sobrecarregado. Deve-se evitar o excesso de carga horária, e quando isso ocorrer, procurar compensar o esforço de outras formas.

7- Qual é a postura correta diante do computador?
O monitor deve ficar na linha dos olhos e nunca mais baixo. Desta forma, a coluna não ficará curvada.

O teclado deve ser posicionado de maneira que o braço forme com o antebraço um ângulo de 90º. Hoje, há também teclados com um design mais moderno que têm disposição adequada das teclas para cada uma das mãos.

O uso de apoiadores de mão arredondados e macios, que são colocados entre o teclado e a borda da mesa, evitam a obstrução da circulação sanguínea. Um bom mouse pad tem a borda arredondada e macia.

8- Qual é o jeito correto de sentar-se enquanto trabalha?
O bumbum não deve ficar na ponta da cadeira deixando as costas envergadas. A coluna precisa ficar ereta, mas não excessivamente tensa.

Um apoio nos pés, espécie de minidegrau, ajuda a manter a postura, não deixando que haja pressão na área da coluna.

Evite ficar com as pernas cruzadas ou sentar-se sobre elas. Essa prática pode dificultar a circulação do sangue, causando formigamento e incômodo.

9- Que acessórios são indispensáveis no ambiente trabalho?
O monitor do computador deve ser reclinável para que cada um o adapte da melhor maneira. Apoiadores para os punhos, placa arredondada macia para o teclado e mouse pad com borda tornam a digitação um exercício menos “pesado”.

As cadeiras devem ter regulagem de altura para o encosto, o acento e os braços -que são indispensáveis. O apoio para os pés também deve ser regulável.

Boa iluminação e ventilação no ambiente são desejáveis. Mas o excesso de refrigeração (ar-condicionado muito forte) pode contribuir para a ocorrência da LER, já que afeta a circulação.

Logicamente, os acessórios mudam de acordo com a profissão e com o ambiente de trabalho. Por exemplo, para quem fala muito ao telefone e digita ao mesmo tempo o uso de fone de ouvido é indispensável.

10- É importante ter pausas durante o expediente?
Sim, isso deve ocorrer em qualquer função onde haja repetição de movimentos e também para pessoas que ficam muito tempo na mesma posição. A pausa deve ser de 10 minutos a cada 50 trabalhados.

Nesse tempo, o profissional precisa fazer exercícios de relaxamento, alto massagem, como o do-in, alongar os dedos das mãos, pés, braços e movimentar o pescoço e as pernas. Esses movimentos exercitam o que ficou parado, irrigando os tecidos.

Quem fica muito tempo de pé deve, nesse tempo de descanso, sentar um pouco para descansar as pernas e os pés.

Fonte: Folha Online

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