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FÁBIO GRELLET
do Agora
Em uma cidade como São Paulo, onde há cada vez mais carros e maiores congestionamentos, as pessoas passam cada vez mais tempo no trânsito.
Pesquisa do Ibope divulgada em setembro concluiu que o paulistano gasta duas horas por dia no trânsito, entre a casa e a escola ou o trabalho. Além do estresse que isso proporciona, ficar todo esse tempo sentado pode prejudicar as costas, os joelhos e o pescoço.
Sua coluna não agradece. Afinal, o peso que o corpo exerce sobre ela se multiplica por quatro quando a pessoa está sentada, explica o médico Rubens Rodrigues, ortopedista do Hospital Bandeirantes, da capital.
“O corpo tende a se curvar para a frente e os músculos vão se alongando. Por isso, a região lombar é a mais prejudicada”, diz Laércio Ricco, ortopedista do Hospital Edmundo Vasconcelos, da capital.
Segundo Ricco, a postura ajuda a amenizar o problema. “O ideal é que o encosto e o assento formem um ângulo o mais próximo possível de 90 graus.” Já a distância entre o corpo e o volante nunca devem exigir que os braços fiquem totalmente esticados. Eles devem ficar semi-flexionados.
Mas nem todo médico considera que o encosto reto seja o melhor, diz Rodrigues. “Tem médicos que consideram como melhor posição de uma pessoa sentada aquela em que ela se sentir confortável”, conta.
Uma recomendação que é consenso entre os especialistas é que o motorista levante e se movimente, alongando o corpo, a cada hora passada sentado. Isso vale para todo mundo que permaneça muito tempo sentado.
O pescoço é outra parte do corpo que sofre quando a pessoa permanece sentada. “O ideal é fazer movimentos circulares para um lado e o outro, mesmo dentro do carro”, recomenda Rodrigues. Outra região muito afetada do corpo são os joelhos.
Todos esses sintomas são menos intensos quando a pessoa não é obesa e pratica exercícios físicos, dizem os médicos. “Se a musculatura do abdômen é adequada, o motorista fica menos sujeito às dores na região lombar”, conta o ortopedista Ricco.
Estresse
Além das dores pelo corpo, o trânsito também causa muito estresse. Para o taxista Mário Figueiredo, 38 anos, que trabalha na Consolação (região central de SP) e passa cerca de 12 horas por dia dirigindo, esse é o maior problema.
“A gente dirige sob tensão, porque o passageiro está sempre atrasado, e ainda tem que enfrentar os motoboys, os ônibus e os congestionamentos”, reclama.
Figueiredo conta que também costuma sentir dores nas costas e no pescoço, mas se preocupa mesmo é com a irritação que o trânsito lhe causa. “Isso é fichinha, eu me movimento e a dor passa. Mas não vejo a hora de me mudar para uma cidade mais tranqüila.”
Contra o estresse, os médicos recomendam exercícios de relaxamento que podem ser praticados dentro do carro. Outras dicas são evitar sapatos de salto alto, não falar ao celular enquanto dirige e nunca se envolver em discussões no trânsito.
Fonte: Folha Online
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