Guru da postura socorre dores de profissionais de tecnologia do Vale do Silício

Profissionais de escritório em todo o mundo vivem acorrentados à tecnologia, curvados sobre desktops, laptops, smartphones e tablets. Tudo isso cobra um preço do corpo.

 

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Esther Gokhale, que tem 52 anos e é uma guru da postura no Vale do Silício, acha que as pessoas sofrem de dor e disfunção porque esqueceram como usar seus corpos. Não é o ato de passar longos períodos sentados que nos causa dor, diz ela, é o modo como nos posicionamos.

Gokhale não usa engenhocas “high-tech” ou terapias médicas para ajudar profissionais doloridos. Em vez disso, ela reapresenta a seus clientes o que afirma ser a “postura primal” –uma maneira de se posicionar que é compartilhada por bebês e criancinhas que estão aprendendo a andar e que, afirma, era comum entre nossos ancestrais, antes de a má postura ter se generalizado. É também uma postura que Gokhale observou quando fez pesquisas em uma dúzia de outros países, além da Índia, onde passou sua infância.

Seu método já foi adotado por executivos, diretores e profissionais de algumas das maiores empresas do Vale do Silício, incluindo o Google e a Oracle.

“Preciso fazer coisas que façam sentido e com as quais eu possa ver resultados. O trabalho de Esther é assim”, comentou Susan Wojcicki, 44, uma dos vice-presidentes seniores do Google. Ela sofria de dor nas costas e no pescoço, que atribui ao fato de trabalhar demais sentada diante de uma mesa.

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Gokhale não é a primeira pessoa a sugerir que mudar de postura é a chave para ter uma espinha saudável. Os praticantes da técnica Alexander e os criadores do Instituto Aplomb, de Paris, também ajudam seus clientes a encontrar maneiras mais naturais e confortáveis de se posicionar. O pilates e a fisioterapia podem ajudar a postura e conscientizar as pessoas.

Algumas empresas, como a Lumo BodyTech, vendem monitores de postura que oferecem a usuários de smartphones “feedbacks” sobre o modo como elas se posicionam corporalmente.
A dor nas costas é algo que afeta a maior parte dos americanos.

De acordo com Richard Deyo, professor na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, oito em cada dez americanos sofrem de dor nas costas em algum momento de suas vidas.

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Os custos associados ao problema são enormes. Segundo uma estimativa publicada no “Journal of the American Medical Association”, o tratamento de pessoas com dores nas costas e no pescoço em 2005 nos Estados Unidos custou US$ 86 bilhões. Como a dor nas costas é uma das principais razões da invalidez de trabalhadores, as faltas ao trabalho provocadas por ela podem custar aos empregadores perto de US$ 7 bilhões por ano, segundo um estudo.

Deyo disse que, para a maioria das pessoas, as dores nas costas duram pouco. Mas os métodos para ajudar as pessoas que sofrem dor crônica são muitos.

Usar uma mesa em que se possa trabalhar em pé tornou-se uma maneira popular de aliviar o desconforto. Exercícios, ioga, acupuntura e quiroprática também podem reduzir as dores. Os tratamentos médicos ainda são opções importantes, dizem médicos, apesar dos receios de que eles possam ter sido superutilizados.

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Esther Gokhale precisou enfrentar sua própria dor lombar, primeiro quando era estudante universitária que praticava ioga e depois como mãe jovem com ciática. Ela acabou passando por uma cirurgia por hérnia de disco, mas o procedimento não surtiu efeito. Quando os médicos sugeriram que ela tentasse uma segunda cirurgia, Gokhale iniciou uma busca por respostas.

Nos cursos que ela ministra, os alunos reaprendem a sentar, a ficar em pé, a dormir e a andar. Ela diz que a maioria das pessoas tende a ficar relaxada e curva (pense numa espinha em formato de C) ou arqueada e tensa (um formato de S), o tipo de postura ereta que alguns pais exigem de seus filhos. Gokhale ajuda seus alunos a voltar para a postura que, segundo ela, a natureza pretendia de nós: ereta e relaxada (uma espinha em forma de J maiúsculo).

Com cuidado, ela ajusta os corpos dos alunos de baixo para cima. Ela ajuda os clientes a relaxar a parte frontal da pelve para baixo, de modo que a linha da cintura se inclina para frente e o bumbum se projeta para trás, “para que seu bumbum fique atrás de você, não embaixo de você”.

Gokhale guia as caixas torácicas de alunos que se projetam demais para trás, para que fiquem alinhados com o abdome. Ela rola os ombros curvos dos alunos para cima e os traz suavemente para trás e para baixo. Ela ajuda um aluno a soltar a tensão em seu pescoço, centralizando sua cabeça sobre a espinha e puxando-a levemente para cima. O resultado é uma espinha alongada e bem posicionada, que muitos alunos dizem ser capazes de manter.

Fonte: Folha de S. Paulo

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