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27 Oct 2009

Dores nas costas e a prática de exercícios físicos

Podemos considerar praticamente impossível alguém passar por essa vida sem reclamar de dores nas costas. Essas dores são tão comuns que entre 1994 e 1995 a Inglaterra teve a perda 116 milhões de dias produtivos como conseqüência das mesmas (Maniadakis&Gray,2000). Essa perda de dias produtivos indica que o custo para o país é imenso. Os autores reportaram um custo, direto e indireto, na ordem de £ 10,668 bilhões! Além do custo financeiro, o custo pessoal é muito grande. Qualquer um que já foi acometido por dores na coluna sabe o quanto elas são incapacitantes e atrapalham a nossa vida diária.

A ciência vem fazendo o seu papel tentando identificar os meios para melhorar os sintomas e prevenir o reaparecimento das dores nas costas. Dentre os meios e métodos mais pesquisados podemos citar diferentes formas de exercícios físicos (Danneels et al.,2001) (Rasmussen-Barr et al.,2003) (Kollmitzer et al.,2000) (Anderson&Behm,2005). Eles vêm se mostrando eficientes no alívio dos sintomas durante as fases crônica e sub-aguda da dor (Koumantakis et al.,2005) (Koumantakis et al.,2005). Porém, a seleção dos exercícios parece ser extremamente importante no resultado obtido. Dependendo do exercício selecionado pode-se ter uma maior ou menor força compressiva e estabilização da coluna lombar (Kavcic et al.,2004) (McGill,1998). Exercícios que aumentem a força compressiva e diminuam a estabilização podem indicar o fracasso de um programa na melhora de dores na coluna. Dessa forma, é interessante determinar grupos de exercícios que possam diminuir as forças compressivas e favorecer a estabilização da coluna durante suas execuções.

De maneira genérica sabe-se que exercícios que envolvam a elevação concomitante do tronco e dos membros inferiores, enquanto se está deitado com o quadril apoiado no chão, produzem as maiores forças compressivas entre as vértebras lombares L4 e L5. Exercícios que utilizem a elevação de uma das pernas ou do tronco isoladamente produzem forças compressivas menores. Assim como exercícios que não utilizem amplitudes de flexão e extensão do tronco extremas (McGill,1998). Como se pode perceber a seleção dos exercícios para pessoas com dores nas costas parece ser crucial.

De acordo com Anderson e Behm (2005) os músculos estabilizadores da coluna entram em ação antes do movimento ser iniciado, quando o exercício produz instabilidades no equilíbrio corporal. Caso os exercícios sejam praticados em uma situação de estabilidade, ou seja, numa superfície rígida e que não exija controle constante dos segmentos corporais, esses músculos não são ativados. Para entender como os estabilizadores da coluna entram em ação é importante compreender como os músculos do tronco agem na produção de movimentos. Comerford e Mottram (2001) classificaram os músculos esqueléticos em três grupos, de acordo com a funcionalidade dos mesmos: 1) Estabilizadores locais - a função desses músculos é produzir uma força pequena, mas constante em todas as posições e direções da amplitude de movimento. A atividade desses músculos é extremamente importante na posição neutra, na qual a estabilização produzida pelas estruturas articulares, ligamentos e cápsulas, é muito pequena 2) estabilizadores gerais - eles são responsáveis pela geração de força (torque) em situações mais extremas, principalmente naquelas em que há necessidade de desacelerar uma força e em movimentos de rotação e 3) mobilizadores globais - esses músculos são responsáveis por executar movimentos com o máximo de amplitude sem sobrecarregar outras estruturas. Eles agem como estabilizadores em situações em que cargas elevadas são manipuladas.

Desses três grupos de músculos há concordância que o primeiro, estabilizadores locais, é o mais importante para garantir a estabilidade da coluna vertebral em movimentos cotidianos e diminuir a incidência de dores nas costas ((Rasmussen-BarrNilsson-Wikmar et al.,2003), (Marshall&Murphy,2005), (McGill,1998)). Esse grupo é composto, principalmente, pelos músculos transverso do abdômen, obliquo interno do abdômen e multifídio. Então, para que um determinado exercício ative os estabilizadores locais as exigências de força não podem ser elevadas e a necessidade de reequilíbrio constante.

Pessoas que apresentem uma deficiência na força desses músculos tendem a perder controle da coluna na posição neutra e a ter dores na coluna. Comerford e Mottram (2001) explicam que tratamentos de coluna têm que gerenciar esses três fatores para amenização dos sintomas (Fig. 1). Então, determinar os exercícios que possam ativar esses músculos e reeducar o controle no paciente/aluno é imperioso. Clinicas de reabilitação apresentam diferentes enfoques para o tratamento de dores na coluna, porém o método desenvolvido por Joseph Pilates vem sendo utilizado com um meio alternativo para devolver a funcionalidade às pessoas que sofrem de problemas de coluna (Comerford&Mottram,2001), e que não necessitem intervenções clinicas. O Pilates tem como característica principal a realização de exercícios executados lentamente e com constantes mudanças no equilíbrio corporal. Dessa forma eles têm a possibilidade de ativar os estabilizadores locais devolvendo a “funcionalidade” para seus praticantes. Essa uma das razões pelas quais muitas pessoas começam a utilizar o Pilates tanto para o tratamento quanto para a profilaxia de dores nas costas, aumentando a já grande legião de aficionados pelo método.

Referências Bibliográficas:

Anderson, K. and Behm, D. G. (2005). The impact of instability resistance training on balance and stability. Sports Med 35(1): 43-53.

Comerford, M. J. and Mottram, S. L. (2001). Functional stability re-training: principles and strategies for managing mechanical dysfunction. Man Ther 6(1): 3-14.

Danneels, L. A., Vanderstraeten, G. G., Cambier, D. C., Witvrouw, E. E., Bourgois, J., Dankaerts, W. and De Cuyper, H. J. (2001). Effects of three different training modalities on the cross sectional area of the lumbar multifidus muscle in patients with chronic low back pain. Br J Sports Med 35(3): 186-91.

Kavcic, N., Grenier, S. and McGill, S. M. (2004). Quantifying tissue loads and spine stability while performing commonly prescribed low back stabilization exercises. Spine 29(20): 2319-29.

Kollmitzer, J., Ebenbichler, G. R., Sabo, A., Kerschan, K. and Bochdansky, T. (2000). Effects of back extensor strength training versus balance training on postural control. Med Sci Sports Exerc 32(10): 1770-6.

Koumantakis, G. A., Watson, P. J. and Oldham, J. A. (2005). Supplementation of general endurance exercise with stabilisation training versus general exercise only Physiological and functional outcomes of a randomised controlled trial of patients with recurrent low back pain. Clin Biomech (Bristol, Avon) 20(5): 474-82.

Koumantakis, G. A., Watson, P. J. and Oldham, J. A. (2005). Supplementation of general endurance exercise with stabilisation training versus general exercise only. Physiological and functional outcomes of a randomised controlled trial of patients with recurrent low back pain. Clin Biomech (Bristol, Avon) 20(5): 474-82.

Maniadakis, N. and Gray, A. (2000). The economic burden of back pain in the UK. Pain 84(1): 95-103.

Marshall, P. W. and Murphy, B. A. (2005). Core stability exercises on and off a Swiss ball. Arch Phys Med Rehabil 86(2): 242-9.

McGill, S. M. (1998). Low back exercises: evidence for improving exercise regimens. Phys Ther 78(7): 754-65.

Rasmussen-Barr, E., Nilsson-Wikmar, L. and Arvidsson, I. (2003). Stabilizing training compared with manual treatment in sub-acute and chronic low-back pain. Man Ther 8(4): 233-41.

Fonte: Atma Studio - Educação e Treinamento/ Online

Carlos Ugrinowitsch, Ph.D.

Cintia Rodacki, Ms.

André Rodacki, Ph.D.

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