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As pessoas que fumam, especialmente os mais jovens, têm mais chances de apresentar dores lombares do que aquelas que nunca fumaram, segundo estudo publicado este mês no American Journal of Medicine. Examinando dados de 40 estudos envolvendo mais de 300 mil adultos e adolescentes, pesquisadores finlandeses concluíram que o tabagismo está “modestamente” associado com o risco de dor lombar – que afeta oito em dez adultos em algum momento da vida –, e os efeitos podem ser “parcialmente reversíveis”.
“Os fumantes atuais têm apenas 31% maior risco de dores lombares, comparados com aqueles que nunca fumaram, mas esta estimativa é apenas para dor na parte inferior das costas por um dia ou mais durante os 12 meses anteriores”, destacou Rahman Shiri, do Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional. Segundo os autores, essa associação seria ainda mais forte para a dor crônica e incapacitante, embora nenhum estudo tenha determinado se seria uma relação de causa e efeito.
De acordo com os autores, os resultados apontaram, ainda, uma maior vulnerabilidade dos mais jovens aos efeitos do cigarro, porque a associação entre o tabagismo e a dor foi mais forte entre os adolescentes pesquisados, comparados aos adultos. Uma explicação para esses resultados seria a maior facilidade em identificar e estudar a lombalgia em pessoas mais jovens. Outro resultado interessante da pesquisa é a possibilidade de reversão desses efeitos, pois os participantes que haviam parado de fumar pareciam procurar menos atendimento para a lombalgia do que os fumantes.
Os cientistas ainda não sabem as razões da associação entre o tabagismo e as dores lombares, mas apontam uma série de possíveis explicações, incluindo a redução do suprimento de sangue à coluna, o aumento do risco de osteoporose e o aumento da circulação de substâncias tóxicas e inflamação pelo organismo. Por isso, mais estudos são necessários.
Fonte: gazetaweb;American Journal of Medicine. Janeiro de 2010.
O sistema músculo esquelético é o responsável pela estabilidade estática e dinâmica das extremidades e do tronco. A eficiência de sua função depende da integridade de seus componentes estruturais, biomêcanica adequada, e alinhamento corporal e postural corretos, resultando em movimentos livres e indolores. Quando há quebra desse conjunto harmônico ocorrem os fenômenos dolorosos e perda da função.
Muitos estados traumáticos são acompanhados de incapacidade temporária ou permanente. O traumatismo pode ocorrer como um acidente único e violento com imediato aparecimento da lesão ou ser o resultado de traumas crônicos resultantes de hábitos posturais ou ocupacionais que origiram fádiga muscular persistente, desequilíbrio músculo-fáscio-tendíneo e tensão.
Assim, utiliza-se o termo “Reumatismos de partes moles” ou “Reumatismo extra articulares”, para definir o estado doloroso agudo, subagudo ou crônico, das estruturas periarticulares, quais sejam: musculos, ligamentos, bursas, fáscias, aponeurosas e tendões.
As entidades que se reunem sob o rótulo de reumatismo de partes moles apresentam como denominador comum dor e rigidez músculo-esquelética. Constituem as principais causas de morbidade e falta ao trabalho, causando pesado ônus às empresas e à sociedade. Estima-se que a cada ano, sete entre 100 pessoas procurem auxílio dos serviços de saúde com quadro tipico de “reumatismo de partes moles”.
Não existe uma classificação universalmente aceita para essa entidade clinica. Entretanto para fins didáticos podemos dividi-la em três categorias: localizado, regional e generalizado. Tal tentativa de classificado não implica qualquer relação etiológica entre as condições assim individualizadas, mas apenas aborda o assunto sob o ponto de vista clínico. Provavelmente, existem tantas classificação quanto o número de estudiosos do assunto.
Nessa categoria incluímos as bursites, tendinites e tenossinovites, e as entesopatias.
Bursites, tendinites e tenossinovites - Do ponto de vista histologico, as “bursas” e as baínhas tendinosas são muito semelhantes. Como tecido adventício, não possuem membrana basal e são compostas por um aglomerado de células fibroblásticas, que assim como as células sinoviais, apresentam funçoes macrofágicas e secretorias. As “bursas” geralmente formam uma cavidade achatada, enquanto que os leitos tendinosos são estruturas longas e tubulares. Secretam colágeno, proteoglicanos, enzimas como a colagenase e outras substâncias.
As “bursas” têm como função proteger os tecidos moles das proeminéncias ósseas adjacentes, auxiliando na lubrificação das estruturas articulares. As bursites representam manifestações clínicas em locais diversos, que tem como características comum, dor localizada e disfunção. As causas mais frequentes de bursites são as traumáticas e designada segundo a estrutura anatomica que compromete. A sede mais comum dessas lesões são as bursas do olécrano, as pré-patelares, subacromial e trocanteriana. Além do trauma, as bursites podem estar associadas a outras condições clínicas, como doenças metabolicas do tipo da gôta e pseudogota, doenças inflamatórias do tecido conectivo, como a artrite reumatóide, e processos infecciosos localizados.
Os processos infecciososa das “bursas” geralmente ocorrem nas “bursas” subcutâneas superficiais, sendo mais frequentes as bursites pré-patelares e olecranianas.
Os tendões são compostos por fibras colágenas densas, paralelas, e por fibroblastos. Sua principal função é ligar o músculo ao osso tornando-se mais eficiente, pois concentra a sua ação sobre uma pequena área.
As inflamações agudas ou crônicas dos tendões e de suas baínhas (tenossinovite), tal como as bursites, frequentemente sãodesencadeadas pelos traumatísmos, geralmente associados aos movimentos repetitívos, realizados em posições posturais inadequadas, ou que requeiram o uso de força. Ao exame clínico, podemos detectar discreto edema e calor local, com crepitação, diminuição de força e espessamento ao longo do curso da unidade músculo-tendinea comprometida. Algumas tenossinovites podem se associar a processo estenosante da bainha tendinosa, como na tenossinovite dos flexões dos dedos das mãos (dedos em gatilho), dos tendões do longo abdutor do polegar e extensor curto do polegar (síndrome de De Quervain), ou ainda nos processos inflamatórios da goteira intertubercular da cabeça do úmero (tendinite do cabo longo do biceps).
O acometimento séptico de tendões e baínhas e frequente na doença gonococica disseminada e, mais raramente, pode ocorrer na tuberculose, esporotricose, toxoplasmose e micobacterioses atipicas.
Entesopatias: A êntese, local de inserção de um ligamento ou músculo no osso, está comprometida numa grande variedade de patologias. Esses pontos apresentam terminações nervosas especiais e o osso onde se inserem fibras dos ligamentos, tendões ou musculos não são reconhecidos por periósteo. As fibras tendinosas passam diretamente para dentro das fibras de Sharpey do osso: nota-se que o tendão se alarga e se prende diretamente em leque na zona de inserção com cartilagem hialina interposta.
Durante o movimento as ênteses são expostas a grandes sobrecargas mecânicas. Freqüentemente esses pontos são agredidos em atividades desportivas e programas de condicionamento físico inadequados. Os locais mais acometidos pelos traumas diários e movimentos repetidos que levam a quadros de entesites são o epicôndilo lateral do úmero (”tennis elbow”), o epicôndilo medial (”golf elbow”), a entesopatia da pata de ganso, entesopatia retrocalcãnea e subcalcânea, entre outras.
Dra. Laís Lage Furtado Mendonça
Dra. Linamara R. Baptistella
Fonte: http://www.fm.usp.br/
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